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03/03/2022 19h57 Há 773 dias
Fertilizantes: preocupação é com a safra que começará em setembro, diz ministra da Agricultura

    A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou na última quarta-feira (2) que não há risco de desabastecimento de fertilizantes para a safra atual brasileira e que busca alternativas para a safra que se iniciará em setembro.

    O receio de escassez de fertilizantes químicos, ferramenta usada pelos agricultores para aumentar a produtividade do solo, é motivado pela guerra entre Rússia e Ucrânia, que restringiu os fluxos comerciais dos dois países. A Rússia fornece 23% dos fertilizantes importados pelo Brasil.

    Segundo a ministra, para a safra deste ano, não haverá problemas. "A safra brasileira que acontece neste momento, que é a safrinha, já está acontecendo. O que precisava de fertilizante, já chegou, já está com o produtor rural, que já está plantando", disse Tereza Cristina.

    A preocupação, segundo ela, é com o abastecimento para a próxima safra, que começa a ser plantada a partir de setembro.

    Por isso, o ministério estuda três alternativas:

    diversificar a importação;

    utilizar menos fertilizantes — a intenção é contar com apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para ir a campo e ensinar aos produtores métodos de produção com menor uso de fertilizantes;

    agilizar o fluxo de entrada dos fertilizantes nos portos.

    De acordo com o Ministério da Agricultura, o Brasil é o quarto consumidor mundial de fertilizantes e importa cerca de 80% do volume utilizado na produção agrícola.

Em 2021, os produtores brasileiros aplicaram US$ 15,1 bilhões em adubos e fertilizantes químicos. Ao todo, foram importados 41,6 milhões de toneladas, segundo dados do Comex Stat, do Ministério da Economia.

    O maior volume importado veio da Rússia: 9,2 bilhões de toneladas, o que representa cerca de 23% do total importado pelo Brasil no ano passado. Em seguida, os maiores exportadores para o Brasil, em volume de fertilizantes, foram China (15%), Canadá (10%), Marrocos (7%) e Belarus (6%).

Entre 2020 e 2021, a importação brasileira de fertilizantes da Rússia cresceu 22%.


    Produção nacional de fertilizantes

    Entre janeiro e novembro de 2021, de acordo com a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), o Brasil produziu 6,3 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários — produtos que servem tanto para uso na lavoura quanto matéria-prima para a indústria de fertilizantes.

No mesmo período, o país importou 35,6 milhões de toneladas de fertilizantes intermediários.

    A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República fez um estudo, em 2020, para avaliar os gargalos da produção nacional.

O documento apontou que, dentre os principais obstáculos para o desenvolvimento da produção nacional de fertilizantes, estão a falta de infraestrutura logística para distribuição do produto no país; a baixa inovação tecnológica do setor; e a falta de conhecimento geológico do solo brasileiro.

Em janeiro de 2021, o presidente Jair Bolsonaro assinou decreto criando um grupo de trabalho para elaborar o Plano Nacional de Fertilizantes, com ações para estimular a produção de insumos e diminuir a dependência de outros países. Segundo a ministra Tereza Cristina, o plano deverá ser apresentado no final deste mês.

    Fonte: G1 / Agro Notícia - Foto - A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, durante evento no Planalto em agosto do ano passado - Alan Santos/PR

 

Autoria: Fonte: G1 - Agro Notícia